Fragilidade d’um ser humano

 

por Caroline Fortunato

 

Tomás, um brasileiro que não aparenta quarenta anos, moreno, forte e baixo, passa as férias no Egito.

Junta-se a um grupo de turistas que exploram o museu. Interessados e muito curiosos, pedem ao guia que lhes mostre e explique tudo, não deixando escapar nada.

O guia, assim, passa a gostar daquela turma de estrangeiros específica e atende o pedido com prazer.

Leva o grupo, inclusive, por um corredor pouco visitado, já que é muito complexo. Explica que as salas que o corredor dá acesso são extremamente compensatórias do ponto de vista cultural.

Porém, além da complexidade (parece um labirinto) o corredor é surpreendentemente longo. E não há sinal para o uso de seus telefones celulares nem ali, nem depois dali.

Toda aquela turma começa a ter, em silêncio, um sentimento de que não saberiam voltar caso estivessem sozinhos. Mas chegam ao objetivo.

Nas primeiras salas, a sede por conhecimento presente em cada indivíduo aflora. Tomás, empolgado, olha casualmente o guia e, no entanto, nota algo estranho. Mas julga ser coisa de sua cabeça, esquece e se volta para os artefatos.

Os turistas decidem mudar de sala. Estavam acabando a visitação, logo teriam de retornar, cada um possuía suas obrigações em um mundo burocrático e externo.

Solicitam ao guia e percebem que há algo de muito errado.

– Quem são vocês?

Todos se entreolham. De início pensam que é alguma brincadeira. Uma brincadeira de muito mau gosto – além de infantil; oxalá!

Só depois constatam que o guia, não se sabe o porquê, perdeu a memória.

 

 

Caroline Fortunato é estudante de Letras na Usp, contista na revista Labirinto Literário, membra de antologias e escritora na editora Selo Jovens (Selo Talentos).

 

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *